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	<title>Império Serrano &#8211; Rota do Samba</title>
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	<description>Portal de noticias sobre samba e carnaval de Guaratinguetá, São Paulo e Rio de Janeiro</description>
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	<title>Império Serrano &#8211; Rota do Samba</title>
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		<title>Império Serrano realiza Feijoada Imperial no próximo sábado (10) com Mocidade Independente e Cordão do Bola Preta</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 07 Jan 2026 22:05:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[rio de janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Carnaval Carioca 2026]]></category>
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					<description><![CDATA[Evento acontece a partir das 13h, na quadra da escola, em Madureira, e conta também com apresentação do elenco show da agremiação No próximo sábado (10), o Império Serrano realiza a edição de janeiro da Feijoada Imperial, na quadra da escola, em Madureira. O evento terá início às 13h e contará com as participações da Mocidade Independente de Padre Miguel e do Cordão do Bola Preta. Os ingressos estão à venda através da plataforma Sympla, com o valor de R$ 25,00 com entrada e feijoada. Além das participações convidadas, o elenco show do Império Serrano também está confirmado na programação. Sob a liderança do intérprete Vitor Cunha, os grandes sambas da história do Reizinho de Madureira serão apresentados com os segmentos da escola. Componentes com carteirinha terão entrada gratuita até 15h. A Feijoada Imperial será realizada na quadra do Império Serrano, localizada no bairro de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O endereço é Avenida Ministro Edgard Romero, 114. A venda de ingressos acontece na secretaria da quadra, por telefone e pela plataforma Sympla. Serviço Evento: Feijoada Imperial de JaneiroData: sábado, 10 de janeiroHorário: 13hLocal: Quadra do Império SerranoEndereço: Avenida Ministro Edgard Romero, 114, MadureiraAtrações: elenco show do Império Serrano, Mocidade Independente de Padre Miguel e Cordão do Bola Preta Ingressos:Componente com carteirinha: entrada gratuita até 15hIngresso + feijoada: R$ 25,00Vendas no Sympla: https://www.sympla.com.br/evento/feijoada-imperial-pre-carnaval/3257660? Mesas:Mesa VIP com quatro feijoadas: R$ 200,00Mesa comum com quatro lugares: R$ 120,00Vendas: (21) 96460-6117, na secretaria da quadra, e pelo Sympla (link na bio). Fotos: Leandro Andrade Assessoria de Imprensa &#8211; Império Serrano&#160; Emerson Pereira]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-31faf0f9e04bb653bcf8435cebf152da wp-block-paragraph"><strong><em>Evento acontece a partir das 13h, na quadra da escola, em Madureira, e conta também com apresentação do elenco show da agremiação</em></strong><strong></strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b441723d21c9d1e40c5119accb98965b wp-block-paragraph">No próximo sábado (10), o Império Serrano realiza a edição de janeiro da Feijoada Imperial, na quadra da escola, em Madureira. O evento terá início às 13h e contará com as participações da Mocidade Independente de Padre Miguel e do Cordão do Bola Preta. Os ingressos estão à venda através da plataforma Sympla, com o valor de R$ 25,00 com entrada e feijoada.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-e5412cc489e35dd4e742bf3b325a0695 wp-block-paragraph">Além das participações convidadas, o elenco show do Império Serrano também está confirmado na programação. Sob a liderança do intérprete Vitor Cunha, os grandes sambas da história do Reizinho de Madureira serão apresentados com os segmentos da escola. Componentes com carteirinha terão entrada gratuita até 15h.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-3e4d940b37a24f48fbcaee489190eef8 wp-block-paragraph">A Feijoada Imperial será realizada na quadra do Império Serrano, localizada no bairro de Madureira, na Zona Norte do Rio de Janeiro. O endereço é Avenida Ministro Edgard Romero, 114. A venda de ingressos acontece na secretaria da quadra, por telefone e pela plataforma Sympla.</p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="1024" height="684" src="https://www.rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2-1024x684.jpg" alt="" class="wp-image-6759" srcset="https://rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2-1024x684.jpg 1024w, https://rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2-300x200.jpg 300w, https://rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2-768x513.jpg 768w, https://rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2-1536x1025.jpg 1536w, https://rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2-449x300.jpg 449w, https://rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2-310x207.jpg 310w, https://rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2-150x100.jpg 150w, https://rotadosamba.com/wp-content/uploads/2026/01/Imp-Serrano-feijoada-9-jan-26-2.jpg 2048w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b8cec99eba39dc5b5cc86e48b66df680 wp-block-paragraph"><strong>Serviço</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-96a43d4f8d8ad9bce00d744ad2f3c08e wp-block-paragraph">Evento: Feijoada Imperial de Janeiro<br>Data: sábado, 10 de janeiro<br>Horário: 13h<br>Local: Quadra do Império Serrano<br>Endereço: Avenida Ministro Edgard Romero, 114, Madureira<br>Atrações: elenco show do Império Serrano, Mocidade Independente de Padre Miguel e Cordão do Bola Preta</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-33c4c6b6c39e596c47b9f0997a36a4d4 wp-block-paragraph">Ingressos:<br>Componente com carteirinha: entrada gratuita até 15h<br>Ingresso + feijoada: R$ 25,00<br>Vendas no Sympla: <a href="https://www.sympla.com.br/evento/feijoada-imperial-pre-carnaval/3257660?" target="_blank" rel="noreferrer noopener">https://www.sympla.com.br/evento/feijoada-imperial-pre-carnaval/3257660?</a></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-caa4e2430930394c3ff985dabb3e2ef4 wp-block-paragraph">Mesas:<br>Mesa VIP com quatro feijoadas: R$ 200,00<br>Mesa comum com quatro lugares: R$ 120,00<br>Vendas: (21) 96460-6117, na secretaria da quadra, e pelo Sympla (link na bio).</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-1d1dd0d8446880542ad2d8bc08a00b9e wp-block-paragraph"><strong>Fotos: Leandro Andrade</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9ac00cf961d1ea846fe5a532228b76c6 wp-block-paragraph"></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-eb0c6b749c9eb4cd55040a6f699e0c73 wp-block-paragraph"><strong>Assessoria de Imprensa &#8211; Império Serrano&nbsp;</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-0901eb85d6d35499814c43499a37636b wp-block-paragraph">Emerson Pereira</p>



<p class="wp-block-paragraph"></p>
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		<title>Império Serrano divulga sinopse do enredo sobre Conceição Evaristo</title>
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		<dc:creator><![CDATA[admin]]></dc:creator>
		<pubDate>Sat, 28 Jun 2025 02:21:09 +0000</pubDate>
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					<description><![CDATA[Com a escritora presente, foi entregue aos compositores o texto que vai nortear o enredo de 2026 Na noite desta quarta-feira (25), o Império Serrano apresentou a sinopse do enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, em sua quadra, em Madureira. Com a presença da escritora Conceição Evaristo, grande homenageada da escola, foi realizada a explanação do texto pelo carnavalesco Renato Esteves, sendo explicado&#160;ponto a ponto aos compositores e aos demais presentes. Em 2026, o Império Serrano será a quarta escola a desfilar no sábado, dia 14 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro. Conheça o texto: PONCIÁ EVARISTO FLOR DO MULUNGU JUSTIFICATIVA &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O Império Serrano tem como premissa contar os saberes do povo brasileiro. Griô do carnaval, organismo vivo, com grandes enredos musicados. Pioneira no protagonismo feminino dentro das escolas de samba, tem em sua constelação baluartes como D. Ivone Lara, Tia Eulália, Jovelina Pérola Negra, dentre tantas outras. Ainda hoje, seu contingente é formado majoritariamente por mulheres negras, reconhecendo na fibra e na resiliência femininas o potencial para superar as adversidades vividas no último ciclo carnavalesco. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A força e a vivência da mulher preta serão o foco principal do próximo carnaval. Para isso, iremos homenagear a professora, doutora em Literatura Comparada, a maior literata negra que habita o nosso tempo: Conceição Evaristo. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Escritora, poetisa e professora, vinda de uma família pobre, trabalhou como empregada doméstica antes de concluir os estudos e se formar em Letras. Sua obra é marcada pelo conceito de “escrevivência”, que valoriza as experiências pessoais e coletivas das mulheres negras. Publicou romances, contos e poesias que abordam temas como racismo, desigualdade social, ancestralidade e resistência feminina, sendo Ponciá Vicêncio, Olhos d’Água e Macabéa: Flor de Mulungu algumas de suas obras mais conhecidas. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios e, em 2024, foi eleita para a Academia Mineira de Letras. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; O termo “escrevivência”, criado por Conceição Evaristo, une as palavras “escrita” e “vivência” para definir uma forma de escrever que nasce das experiências de vida, especialmente das mulheres negras. Mais do que ficção, a escrevivência é uma escrita marcada pela memória, pela presença do pretuguês, pela ancestralidade e pelas dores e resistências do cotidiano, rompendo com a literatura tradicional ao valorizar vozes historicamente silenciadas. Para Evaristo, escrever é um ato político e de afirmação identitária, em que a vida e a palavra se misturam como forma de denúncia, resistência e transformação social. SINOPSE PRELÚDIO “Leiam meus livros, não minha biografia.”Conceição Evaristo &#160;&#8220;Se essa história não existe, passará a existir.” –&#160; Clarice Lispector. &#160;Este enredo é uma escrevivência baseado nas obras de Conceição Evaristo. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Flores de Mulungu são todos os africanos em diáspora. É a África juntando os seus em seus galhos. É a velha da sabedoria ancestral, a flor em estado de graça que enxerga o tudo e o nada. A força da mulher negra que verte em leite a seiva que dá a vida. É a criança que brinca debaixo do tronco de um mulungu, com os pés na terra, sentindo o axé. Flores do Mulungu costumam ser porta-vozes de mulheres iguais a elas. Flor do ontem-hoje-amanhã. A flor do mulungu não morre, leva consigo a potência da vida. Força motriz de um povo que, resilientemente, vai emoldurando o seu grito contra o sistema. Nesta escrevivência-enredo, apresentamos Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu, com pitadas de realismo fantástico, em sua trajetória até se tornar uma imortal no Palácio Ancestral das Escrevivências. I &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A água bailava sinuosa entre os pedregulhos no rio. Às margens, lavadeiras cantavam, disputando espaço com peixes que subiam em marcha contrária à correnteza. Havia chovido e o sol insistia em não aparecer. O tempo fechado impedia o quarar das roupas. No quintal de chão de terra batida, ainda umedecido pelas chuvas, a mãe de Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu pegou um graveto, colocou a saia entre as pernas e desenhou um sol no chão. Cantou no afã de acordar o astro-rei que insistia em dormir entre os travesseiros de nuvens. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A menina-flor, que brincava com suas irmãs, se encantou com aquela cena. Em seu universo pueril, o graveto seria o lápis e a terra molhada, o papel. Extasiada, fitou o rosto da lavadeira que agora sorria. O sol iluminava a face, revelando qual era a cor dos olhos de sua mãe. Ela tinha os olhos da cor de Oxum, olhos d’água, oju-abebé. Espelho que refletia os olhos da menina-flor. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Consagrada à Imaculada Conceição e à Oxum, Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu havia crescido na ausência de livros e rodeada de palavras. O rito que acabara de ver sua mãe fazer, despertou em si o desejo de escrever histórias. II&#160; &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Pelos Becos da Memória, Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu passeava por espirais de ontem, paisagens do futuro cantadas há séculos. Encontrou sua ancestral Negra Halima que contou suas vivências sincréticas de Améfrica-mineira. Histórias que ecoavam dos porões do navio. Tia Halima guardava o segredo dos cabelos de ouro. Ela usava suas mechas preciosas para libertar seus irmãos. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A menina-flor aprendeu a moldar o barro com Vô Vicêncio. Quis brincar com os mascarados na Folia de Reis. Seguiu o batuque das congadas e dançou com Tio Totó, ornado em coroa e fitas. Rezou no canjerê com seu rosário feito de contas negras e mágicas. Em suas contas, um canto para mamãe Oxum. &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Continuou brincando. Tinha o costume de atravessar o rio saltando de pedra em pedra, mas desta vez houve um impasse. Um arco-íris no céu uniu as duas margens. Para chegar aonde o umbigo dela e de seus ancestrais estavam enterrados, precisaria passar embaixo da cobra celeste. O medo a impediu de fazer a travessia. Já dizia Tia Halima: a menina que passasse debaixo de Angorô, garoto virava. Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu se questionou se a vida seria mais fácil se fosse um menino. III &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; A vida na Favela do Pindura-Saia, onde morava Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu, era carregada de uma difícil ilusão. A favela era o encontro dos esperançosos que escolheram resistir. Como poderia coabitar prato vazio e felicidade? &#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160;&#160; Ecos de estômagos desocupados, cheios de medo, de fome e]]></description>
										<content:encoded><![CDATA[
<p class="has-text-align-center has-black-color has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-8a8348e54131ca19b1e461b1d2ca7df7 wp-block-paragraph"><strong><em>Com a escritora presente, foi entregue aos compositores o texto que vai nortear o enredo de 2026</em></strong><strong></strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-a5b74f20e7c230331d48cb9e4291c02f wp-block-paragraph">Na noite desta quarta-feira (25), o Império Serrano apresentou a sinopse do enredo “Ponciá Evaristo Flor do Mulungu”, em sua quadra, em Madureira. Com a presença da escritora Conceição Evaristo, grande homenageada da escola, foi realizada a explanação do texto pelo carnavalesco Renato Esteves, sendo explicado&nbsp;ponto a ponto aos compositores e aos demais presentes.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-3976ad9266b636a3d6650b3bbad6724d wp-block-paragraph">Em 2026, o Império Serrano será a quarta escola a desfilar no sábado, dia 14 de fevereiro, na Marquês de Sapucaí, pela Série Ouro. Conheça o texto:</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-cfc95c4ebfacf50ee0997edea25eb92b wp-block-paragraph"><strong>PONCIÁ EVARISTO FLOR DO MULUNGU</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-966c8771a49904baa45dece66e23e817 wp-block-paragraph"><strong>JUSTIFICATIVA</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-ec1f2e5bc34a247976315033047eca4a wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O Império Serrano tem como premissa contar os saberes do povo brasileiro. Griô do carnaval, organismo vivo, com grandes enredos musicados. Pioneira no protagonismo feminino dentro das escolas de samba, tem em sua constelação baluartes como D. Ivone Lara, Tia Eulália, Jovelina Pérola Negra, dentre tantas outras. Ainda hoje, seu contingente é formado majoritariamente por mulheres negras, reconhecendo na fibra e na resiliência femininas o potencial para superar as adversidades vividas no último ciclo carnavalesco.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-12eade975e025597e8adbec2c5450774 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A força e a vivência da mulher preta serão o foco principal do próximo carnaval. Para isso, iremos homenagear a professora, doutora em Literatura Comparada, a maior literata negra que habita o nosso tempo: Conceição Evaristo.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-639cf26b1b72ae9f656109775cf9cd95 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Escritora, poetisa e professora, vinda de uma família pobre, trabalhou como empregada doméstica antes de concluir os estudos e se formar em Letras. Sua obra é marcada pelo conceito de “escrevivência”, que valoriza as experiências pessoais e coletivas das mulheres negras. Publicou romances, contos e poesias que abordam temas como racismo, desigualdade social, ancestralidade e resistência feminina, sendo Ponciá Vicêncio, Olhos d’Água e Macabéa: Flor de Mulungu algumas de suas obras mais conhecidas. Ao longo da carreira, recebeu diversos prêmios e, em 2024, foi eleita para a Academia Mineira de Letras.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-46affe6793589f15ea1b5682255f4ea4 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O termo “escrevivência”, criado por Conceição Evaristo, une as palavras “escrita” e “vivência” para definir uma forma de escrever que nasce das experiências de vida, especialmente das mulheres negras. Mais do que ficção, a escrevivência é uma escrita marcada pela memória, pela presença do pretuguês, pela ancestralidade e pelas dores e resistências do cotidiano, rompendo com a literatura tradicional ao valorizar vozes historicamente silenciadas. Para Evaristo, escrever é um ato político e de afirmação identitária, em que a vida e a palavra se misturam como forma de denúncia, resistência e transformação social.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-bace7bec9c93950a97350e0bf92e4cfd wp-block-paragraph"><strong>SINOPSE</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-468e75ffb38c5488520519cfac8f9ac5 wp-block-paragraph"><strong>PRELÚDIO</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-02549c08d10e78383ff6d0925d699bc8 wp-block-paragraph"><em>“Leiam meus livros, não minha biografia.”<br></em><strong>Conceição Evaristo</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-acd7e5374e6653cb0b37dbb809b9967f wp-block-paragraph"><em>&nbsp;&#8220;Se essa história não existe, passará a existir.” </em>–&nbsp; <strong>Clarice Lispector.</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-c0a4fd7dc1784bb35175ef09608283d3 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;</strong>Este enredo é uma escrevivência baseado nas obras de Conceição Evaristo.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-e76ab5a9d7ff0916d7c06a89f0a30a3a wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Flores de Mulungu são todos os africanos em diáspora. É a África juntando os seus em seus galhos. É a velha da sabedoria ancestral, a flor em estado de graça que enxerga o tudo e o nada. A força da mulher negra que verte em leite a seiva que dá a vida. É a criança que brinca debaixo do tronco de um mulungu, com os pés na terra, sentindo o axé. Flores do Mulungu costumam ser porta-vozes de mulheres iguais a elas. Flor do ontem-hoje-amanhã. A flor do mulungu não morre, leva consigo a potência da vida. Força motriz de um povo que, resilientemente, vai emoldurando o seu grito contra o sistema. Nesta escrevivência-enredo, apresentamos Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu, com pitadas de realismo fantástico, em sua trajetória até se tornar uma imortal no Palácio Ancestral das Escrevivências.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-308f693293b89c1db475c1be83cd697d wp-block-paragraph"><strong>I</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-93acbd4078bb14c56cf5c6f444a5e2d7 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A água bailava sinuosa entre os pedregulhos no rio. Às margens, lavadeiras cantavam, disputando espaço com peixes que subiam em marcha contrária à correnteza. Havia chovido e o sol insistia em não aparecer. O tempo fechado impedia o quarar das roupas. No quintal de chão de terra batida, ainda umedecido pelas chuvas, a mãe de Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu pegou um graveto, colocou a saia entre as pernas e desenhou um sol no chão. Cantou no afã de acordar o astro-rei que insistia em dormir entre os travesseiros de nuvens.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-f6d6fcb63d8941f201ef35cceeee045c wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A menina-flor, que brincava com suas irmãs, se encantou com aquela cena. Em seu universo pueril, o graveto seria o lápis e a terra molhada, o papel. Extasiada, fitou o rosto da lavadeira que agora sorria. O sol iluminava a face, revelando qual era a cor dos olhos de sua mãe. Ela tinha os olhos da cor de Oxum, olhos d’água, <em>oju-abebé</em>. Espelho que refletia os olhos da menina-flor.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b66d531989da3d9695aa558b4a404782 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Consagrada à Imaculada Conceição e à Oxum, Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu havia crescido na ausência de livros e rodeada de palavras. O rito que acabara de ver sua mãe fazer, despertou em si o desejo de escrever histórias.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-3b6986c449078d0f63cd744579e287a5 wp-block-paragraph"><strong>II&nbsp;</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-6ca6167b84e8f0cd9387d64ed197b3d9 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pelos <em>Becos da Memória</em>, Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu passeava por espirais de ontem, paisagens do futuro cantadas há séculos. Encontrou sua ancestral Negra Halima que contou suas vivências sincréticas de <em>Améfrica-mineira</em>. Histórias que ecoavam dos porões do navio. Tia Halima guardava o segredo dos cabelos de ouro. Ela usava suas mechas preciosas para libertar seus irmãos.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-f2b0f0aff77474df25b2be9564f38952 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A menina-flor aprendeu a moldar o barro com Vô Vicêncio. Quis brincar com os mascarados na Folia de Reis. Seguiu o batuque das congadas e dançou com Tio Totó, ornado em coroa e fitas. Rezou no <em>canjerê </em>com seu rosário feito de contas negras e mágicas. Em suas contas, um canto para mamãe Oxum.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-0effd7486d3a27fabe0b2e9fb93411b9 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Continuou brincando. Tinha o costume de atravessar o rio saltando de pedra em pedra, mas desta vez houve um impasse. Um arco-íris no céu uniu as duas margens. Para chegar aonde o umbigo dela e de seus ancestrais estavam enterrados, precisaria passar embaixo da cobra celeste. O medo a impediu de fazer a travessia. Já dizia Tia Halima: a menina que passasse debaixo de Angorô, garoto virava. Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu se questionou se a vida seria mais fácil se fosse um menino.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-c9843c80423c6732c4178cef2d0661e5 wp-block-paragraph"><strong>III</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-a108cc54278bb7f0cc9d5bc4281da161 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A vida na Favela do Pindura-Saia, onde morava Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu, era carregada de uma difícil ilusão. A favela era o encontro dos esperançosos que escolheram resistir. Como poderia coabitar prato vazio e felicidade?</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-e95fcaee4756b9ddeb4604012b5b6808 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ecos de estômagos desocupados, cheios de medo, de fome e de desemprego, transformados em cantos de fé e esperança à Sabela, a mulher dos mil olhos. Deusa do barro que moldou a vida e devolveu a fertilidade ao seu povo. Findou a estiagem do rio que circunda a comunidade, doando o líquido maternal que saíra de suas entranhas.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-dd91e03ef66ff6fe730031d37bbf5092 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A euforia funesta dos moradores do Pindura-Saia incomodava os que viviam fora dali. Incapazes de compreender como seria possível conviver tanta esperança com tamanha miséria, decidiram então tomar o chão ancestral. Rezaram por Benevuto, a cobra de ferro, senhor dos desastres, que fez chover até inundar a favela. Em desespero, os moradores da comunidade rogaram por Sabela. A Deusa surgiu em meio à inundação e se engerou em navio. Das curvas de Minas Gerais para as alturas do Rio de Janeiro, Sabela carregou nas costas seu povo e sua favela.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-70a2c7ddfca349409d28a04ce299c509 wp-block-paragraph"><strong>IV</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-3ab3284aece6fbf16f3bcf662edf2cdb wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Após o dilúvio, escrever adquiriu um sentido de insubordinação. Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu tornou-se professora. Entre poemas e romances, registrou as memórias da tragédia do aguaceiro e as guardou em <em>Cadernos Negros</em>.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-97dbe22ae270a4ba82084b77c50d37c9 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Novo lugar, antigo desassossego. O menino que vendia bala no sinal recebeu de troco uma bala de sangue. Enquanto novelas embranquecem amores, mães negras enfrentam a dolorosa realidade de enterrar seus filhos antes que possam completar seus sonhos. O berço vira caixão. A infância, alvo. O futuro, estatística. As balas “acidentais”, “em legítima defesa”, certeiras em quem já nasceu condenado. O CPF do negro é escrito pelo Estado com tinta de sangue. A cor da pele virou evidência criminal. De suspeito a condenado, bastava ser preto. &nbsp;</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-29271a76f3f6ef9d6b74c5180bca01ef wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; O alarme da loja apita: será que foi o preto que roubou? O vizinho teve de aprender que, se chovesse, seria melhor se molhar, porque guarda-chuva poderia significar sua sentença de morte. O corpo preto objetificado na solidão de Fio Jasmim e seus amores rasos. A moça do vestido amarelo conhecia mais a cor das paredes do quarto de empregada do que as cores do seu barraco. Porém, a cor da empregada, essa todo mundo conhecia.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4b3da8e92964bbf6d4f604174e8a4cf2 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Quantas mulheres negras ainda serão silenciadas entre quatro paredes? Quantos assassinos dormirão tranquilos porque o patriarcado os chamou de maridos?</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-8603d59e84fe2881d4d707b1b65600fe wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ponciá-Evaristo transformou em versos a incerteza de sair da favela e não saber se iria voltar. O direito de as mães pretas exercerem o papel de mães dos próprios filhos. Vivenciou amigos e irmãos favelados serem subtraídos de seus destinos sem ter o direito de se defender do sistema que os oprime.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-187c7d1e6b843cba6fd948fb91b6b92c wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Perdeu Dorvi, perdeu Bica, perdeu Idalgo. Esterlinda, sua vizinha, perdeu o filho, a filha e o genro. A realidade era dolorosa e cruelmente comum.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-934e3f3bf1f428c7be8bee1900b4ab7d wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu registrou tragédias cotidianas. Colocou no papel o que vivenciou em mais de sete décadas de vida no <em>ayê</em>. Guiada por Oxum, Maria, Conceição e Sabela, escreveu as vivências do seu povo. Vivência e criação, vivência e escrita. Escrevivência.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-59fecd2d4b38f4c0dab25a217eee0993 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dedicou a vida para não contar histórias de ninar aos filhos da casa-grande. Fez <em>Samba-favela</em> para incomodar e acordá-los de seu sono dos injustos. Construiu uma casa feita de livros para abrigar aqueles que, como ela, gostariam de transformar os <em>Becos da Memória e escreviver </em>um futuro melhor.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-d852d2dbbdbb7163408f76732ae4b7e7 wp-block-paragraph"><strong>V</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-847c438c1921dfaa5a56497c15f49581 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Era <em>kizomba</em> em noite de céu estrelado. As escrevivências romperam os muros da favela e ganharam o asfalto. Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu desabrochou para o mundo. Sua poesia atravessou oceanos, alcançou seus frutos que caíram longe do pé.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-3aa00028180ab486dfa62b45cf563b0f wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A Flor-do-Mulungu nasceu rainha. Para comemorar junto aos seus, Ponciá-Evaristo vestiu-se de água. Em sua coroa de cabelo crespo repousava um adorno de ouro, o <em>adê</em>: coroa de Oxum. Trazia consigo, na mão, um cetro-luneta.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-6c7b1e5ea708047b50d2cb842173abe1 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ao som de <em>poemas-malungos</em>, seu povo a esperava em saudação. Cantavam contra o sistema, contra a opressão, contra o racismo estrutural que assassina, diariamente, milhares de Negros-Estrelas e que retira o direito básico de viver. Cantar é feitiço que afasta o banzo. Resistir é um ato político.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-cac514f82ca3e7857c86607f473253dc wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A pequena casa feita de livros, sob a luz do luar, transformou-se num palácio ancestral. O que era feito de papel e tinta ganhou suntuosas arquiteturas em ouro e marfim. Dos livros saltaram para a realidade realezas, guerreiros e estátuas em tons de ébano. Ao centro, da cadeira de professora ergueu-se o trono imortal dedicado às rainhas africanas. Neste momento, como numa espiral de memórias, o ontem-hoje-amanhã se fundiu. Velha-mulher-criança, amálgama germinado em forma de <em>Ainá-Maria-Nova</em>, desabrochou e tomou o trono que era seu por direito. O fruto voltou ao pé.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-a6df325e17f7a0d9e2dd60afd46c5139 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu mirou a luneta para o firmamento e encontrou os Negros-Estrelas que cruzaram o seu destino. Do orun cintilava o axé de todos os seus com quem fizera um pacto de sobrevivência. Ponciá-Evaristo assumiu seu lugar na imortalidade das escrevivências negras.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-343825502ff882ea0c1e1740adab0a95 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Evaristo é Maria-Nova. É Anastácia. É Carolina Maria de Jesus. É Dona Ivone Lara. É Ruth de Souza. É Mãe Meninazinha.&nbsp; É Oxum. É Conceição <em>Yalodê</em>. E são todas as flores do mulungu que desabrocharam para combater o racismo, o feminicídio e o vilipêndio dos corpos pretos.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-57300ab84f8eef287504f70c96eb6270 wp-block-paragraph">&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sua trajetória em nada difere das vidas reais da maioria das mulheres pretas deste país, onde “vencer na vida” é exceção. Finais felizes para pessoas negras são raros. Cada corpo preto que respira, ama e sonha é um grito contra o sistema que nos quer mortos, calados ou domesticados. Não seremos nenhum dos três. A luta ainda não acabou. É imperativo sobreviver.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-361a1ae2a841587ceaa95fccae08ec03 wp-block-paragraph">A gente combinamos de não morrer.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-00663f3f0089d8f076408b1787b54e86 wp-block-paragraph"><em>Texto: Renato Esteves<br>Edição e revisão textual: Jefferson Brunner e Jorge Sant’Anna<br>Pesquisa e desenvolvimento: Renato Esteves, Emanuelle Rosa e Jorge Sant’Anna da Silva.<br>Equipe de Criação: Emanuelle Rosa, Gabriel Toledo e Jorge Sant’Anna da Silva</em></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-84b6abe1aa4f8645a0e80bdcc8e438ee wp-block-paragraph"><strong>NOTAS EXPLICATIVAS</strong></p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-d630cf3f060e04b6f5d89ceffa1e77fc wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A gente combinamos de não morrer</strong> &#8211; O conto “A gente combinamos de não morrer”, da escritora Conceição Evaristo, é uma narrativa curta, mas profundamente impactante, que integra a coletânea “Histórias de leves enganos e parecenças” (2016). Ele ilustra com sensibilidade e potência as experiências de dor, resistência e afeto no contexto da vivência de mulheres negras nas periferias brasileiras. O erro de concordância verbal é proposital. Segundo a autora, escrever adquire um sentido de insubordinação que pode ser evidenciado numa escrita que fere a norma culta.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-ab1d8f0bd902ee26b5bc47f6d1def0fd wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A moça do vestido amarelo</strong> &#8211; O conto “A moça de vestido amarelo”, de Conceição Evaristo, aborda a experiência da menina Dóris da Conceição Aparecida, que tem uma visão de uma moça vestida de amarelo em seu sonho, relacionada com a força da natureza e a cultura afro-brasileira. A moça do vestido amarelo, em seus sonhos, representa a deusa Oxum, sendo comparada com as águas do rio. O conto explora o inusitado e a presença da tradição oral na narrativa, com a menina Dóris tendo seu vocabulário influenciado pela presença da moça.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-0ee1b5fefad0e765fef9e9c7ee202078 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Adê</strong> &#8211; Espécie de coroa cerimonial no candomblé pelos orixás quando incorporados num filho de santo.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-095dc3089acc53cd9ebc6d382dd993cf wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ainá-Maria-Nova &#8211;</strong> No conto, Ponciá-Evaristo-Flor-do-Mulungu se brota e desabrocha para a imortalidade como Ainá-Maria-nova. Ainá, nome da única filha de Conceição Evaristo e Maria-Nova, personagem de Becos da Memória a qual em suas entrevistas, a autora diz ser a personagem que mais se assemelha consigo.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-6169daaa3df1dc69799ac7425afd04e2 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Améfrica-Mineira </strong>&#8211; O termo “Améfrica” ou “Amefricanidade” foi criado pela intelectual Lélia Gonzalez para representar a experiência e a identidade compartilhada por pessoas negras e indígenas na América, especialmente em relação à resistência à dominação colonial e ao racismo estrutural.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b95320e39d4a8a129b4310a2e8a7999e wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Angorô</strong> &#8211; Angorô (também conhecido como Angolô ou Ongolô) é uma divindade da mitologia banto, associada à cobra arco-íris e à fertilidade. É considerado o inquice do arco-íris, que traz a chuva e, por conseguinte, a prosperidade. Angorô é frequentemente identificado com o orixá Oxumaré, que é cultuado no Candomblé, e também é visto como uma entidade andrógina.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-5543d71679a47f8aeab3f578664749b8 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ayê </strong>&#8211; O físico. Lugar onde habitam os vivos. O material, o palpável.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-ebe2651e053941ede439fdfdea35b047 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Becos da Memória </strong>&#8211; Becos da memória é um dos mais importantes romances memorialistas da literatura contemporânea brasileira. A partir de seus muitos personagens, Conceição Evaristo traduz a complexidade humana e os sentimentos profundos dos que enfrentam cotidianamente o desamparo, o preconceito, a fome e a miséria sem perder o lirismo e a delicadeza. Representa uma obra baseada no conceito de escrevivência.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-eb7514875819ee2d020386ae9dab23ac wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Benevuto</strong> &#8211; Personagem da novela Sabela representante tomaram as terras dos Palavís, povos originários.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-2bf121ebcd2207d06b0bbb648debee53 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Cadernos Negros</strong> &#8211; Cadernos Negros é uma série literária independente que veicula textos afro-brasileiros. Concebida por jovens estudantes que acreditavam no poder de conscientização, sensibilização e acolhimento da literatura, a série veicula até hoje, na poesia e na prosa, a possibilidade de expressar e promover a produção cultural e intelectual contemporânea, concebida e escrita por literatos pretos brasileiros.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-02d30bee9be930d6d91c7ec4f51ec4a2 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Canjerê</strong> &#8211; Batuque de candomblés e umbandas. Termo utilizado em Minas Gerais.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-54925641d144f505e24a368289c10781 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Casa feita de livros</strong> &#8211; A Casa Escrevivência é um espaço cultural idealizado pela escritora Conceição Evaristo, no Largo da Prainha, região portuária do Rio de Janeiro. Localizada na chamada “Pequena África”, área de grande importância histórica para a população negra brasileira, a Casa abriga o acervo pessoal da autora, incluindo livros, cartazes, prêmios e documentos diversos.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-7185c30b9cd00bf5cd736a67c7a8cca0 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Das curvas de Minas Gerais para as alturas do Rio de Janeiro</strong> &#8211; Passagem do texto fazendo uma alegoria para ilustrar a ida da protagonista para o Rio de Janeiro, assim como Conceição Evaristo fez e que hoje mora no Morro da Conceição.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-e874c6492b11ff55629757c46ace35d3 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Dorvi, Bica, Idalgo e Esterlinda </strong>&#8211; Personagens do conto “A gente combinamos de não morrer”, da obra Olhos d’água, de Conceição Evaristo. Bica, esposa de Dorvi; Dorvi, um traficante de drogas; e a mãe de Bica, dona Esterlinda, que tem dois filhos, Idalgo (assassinado) e Bica.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-4b97b8046612ef429ea8e0cd241dc69c wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Enterrar umbigo</strong> &#8211; A prática de enterrar o umbigo do recém-nascido é uma tradição ancestral. No Brasil, esta prática é comum. Pode ser vista como um ato de proteção, um símbolo de ligação entre mãe e filho, e uma forma de conectar a criança com a terra e com o seu futuro.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-aadf4605ee51ec5582a43802b10f54bb wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Espiral de memórias</strong> &#8211; Segundo Leda Maria Martins, a escrita espiralar desconstrói a dicotomia entre oralidade e escrita enfatizada pelo Ocidente, que prioriza a linguagem discursiva como modo exclusivo de postulação de conhecimento. Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela apresenta uma temporalidade que se curva para frente e para trás, ao redor e para cima, em movimentos espirais que retêm o passado como presente (ou presentifica o passado) para moldar o futuro. Assim, a autora descoloniza o pensamento Ocidental e requalifica a África como continente pensante.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-fba9740f3848cd4ee057ef2115efe270 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Favela do Pindura-Saia</strong> &#8211; Cenário que ampara o conto Becos da Memória. Homônima da extinta comunidade em Belo Horizonte onde Conceição Evaristo passou a sua infância e parte da juventude.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-ae9820b49565270597e21083bc4ae213 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Fio Jasmim </strong>&#8211; Personagem central na obra “Canção para ninar menino grande”, da autora Conceição Evaristo. Ele é um homem negro, conhecido por sua beleza e facilidade em atrair mulheres, com quem tem diversos filhos e que não mantém vínculos afetivos ou responsabilidades.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-fba820159ff28ce6c80e5a4e00ad1405 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Mulungu </strong>&#8211; O mulungu (Erythrina velutina) é uma planta medicinal nativa da América do Sul e Central, conhecida por suas propriedades calmantes e sedativas. É utilizada na medicina tradicional para tratar insônia, estresse, ansiedade e como relaxante muscular. Dizia que os escravizados faziam o chá de mulungu para adormecer os senhores da Casa Grande até entrarem em um sono tão profundo e não acordarem mais.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-7ffb9a53f31a4592fd698094c8a51783 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Negros-Estrelas </strong>&#8211; Negro-Estrela é um poema criado por Conceição Evaristo em homenagem a seu companheiro de vida e pai de Ainá, Osvaldo Oju-abebé &#8211; União de duas palavras em yorubá. Oju, olhos e abebé, paramento empunhado pelo orixá Oxum, um espelho o qual, segundo conta a ancestralidade, Oxum se mira no espelho para ver quem está atrás. É um elo entre o presente, o passado e o futuro.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b07155292abc1c8b99794b1cb9524b59 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Olhos d’água</strong> &#8211; Antologia de contos de Conceição Evaristo que também dá nome ao romance mais notório dentro da obra.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-eee2d62e3f1461d421d33f96ed901355 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Ontem-hoje-amanhã </strong>&#8211; Neologismo empregado nas literaturas de Conceição Evaristo para sinalizar o conceito de literatura espiralar.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-72402c8daad3c4c73107f5d5bc0e5e10 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Orun </strong>&#8211; O etéreo, o inalcançável. Onde habitam os orixás e as estrelas.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-fb53f60c0b9be641a086650b48182323 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Poemas-malungos</strong> &#8211; Poemas malungos, cânticos irmãos (2011), Tese de doutorado em Literatura Comparada de Conceição Evaristo.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-2f920d3e7a3bd7e7b2a8f1534eb5a801 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Pretuguês</strong> &#8211; É um conceito criado pela intelectual Lélia Gonzalez para evidenciar a influência das línguas africanas, especialmente das matrizes bantas, na formação do português falado no Brasil. Mais do que uma variação linguística, o pretuguês expressa uma identidade da cultural afro-brasileira, reivindicando um local de apropriação&nbsp; de identidade da&nbsp; população negra, e sua contribuição cultural e intelectual. Nesse sentido, expressões como “Q’eu isse” revelam não “erros”, mas heranças linguísticas africanas reconfiguradas no cotidiano e nas artes. O pretuguês, portanto, é um ato político, que valoriza os saberes negros historicamente marginalizados pela norma culta ocidental. É um processo contra colonial, contra o epistemicidio.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9837032d01ebd76eee4528e6fc232953 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Realismo fantástico </strong>&#8211; O realismo fantástico, ou realismo mágico, é um estilo artístico que combina elementos do mundo real com acontecimentos fantásticos e sobrenaturais, geralmente tratados como parte normal do dia a dia.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-b8068c64a586a6b6f70d8b4a23be5127 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Sabela </strong>&#8211; Protagonista que dá nome à novela que encerra a antologia de contos femininos em Histórias de leves enganos e parecenças, de Conceição Evaristo, em que a autora aproxima a personagem ao itan de Oxum.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-a4612d994521ef2d02726e0c63d0b032 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Samba-Favela</strong> &#8211; Samba-Favela é um dos primeiros textos escritos por Conceição Evaristo. Publicado inicialmente no jornal O Diário, Belo Horizonte, esse texto é considerado pela autora como a semente de sua obra mais conhecida, o romance Becos da Memória (2006).</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-86bdf4b37087649a9a63ea72f0f71f0f wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tia Halima</strong> &#8211; Halima é protagonista do conto que faz referência à mitologia de Oxum no conto “Fios de ouro”, de Conceição Evaristo, parte integrante da obra Histórias de leves enganos e parecenças. Dentro da cultura ancestral afrocentrada, o vocativo “tio/tia” é utilizado para identificar os mais velhos, não necessariamente indicando um parentesco.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-3a664e399c27ee7d2e10775470e55796 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Tio Totó</strong> &#8211; Personagem do conto Becos da Memória em que se assemelha em escrevivências ao tio de Conceição Evaristo.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-52428b0b6a236746bb6bb0af8641439e wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Vô Vicencio</strong> &#8211; Personagem avô de Ponciá Vicêncio, a protagonista que dá nome ao conto.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-c23dbde975db5e21380789f0273a8f94 wp-block-paragraph"><strong>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; Yalodê </strong>&#8211; Em ioruba: Ìyálodè, é um termo que significa “aquele que lidera as mulheres na cidade” ou “dona do grande poder feminino”.</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-9f52922b8201ad7a3dd888f8ba595e07 wp-block-paragraph">—&nbsp;</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-73816e8f44ead0b43fc36b38740b8e81 wp-block-paragraph">Foto: Emerson Pereira</p>



<p class="has-black-color has-text-color has-link-color wp-elements-dbef9b990c0bbc1daf038c0522be8322 wp-block-paragraph">Assessoria de Imprensa &#8211; Império Serrano <br>Emerson Pereira</p>



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